PAINEL ETNOGRAFIAS SONORAS

PAINEL ETNOGRAFIAS SONORAS (EDWIN PITRE-VÁSQUEZ – ORG., FÁBIO BARBOSA DE SOUZA, FRANCISCO VITAL OKABE E JULIO CÉSAR MATOS BORBA)

O painel apresenta três etnografias sonoras realizadas pelos autores, a partir do trabalhos das pesquisas de campo ainda em andamento para o mestrado em Música da Universidade Federal do Paraná, participam também do GRUPETNO-UFPR. São resultados preliminares que contém informações e reflexões sobre a função música na capoeira da Academia de Capoeira Praia de Salvador, a atuação do músico Walter Branco e sua importância para a cena da música brasileira e a discussão sobre o Chamamé instrumental feito em Mato Grosso do Sul, suas origens e desenvolvimento de uma característica local, chamada de “Estilo Duetado”, suas características musicais e extra-musicais. Os atores apresentam a problemática de cada objeto dentro da perspectiva da Etnomusicologia o que corrobora para o avanço de novas pesquisa no campo da música popular.
A FUNÇÃO DA MÚSICA NA ACADEMIA DE CAPOEIRA PRAIA DE SALVADOR: OBSERVAÇÕES SOBRE O RITUAL DE TROCA DE CORDÕES (FÁBIO BARBOSA DE SOUZA)
O presente trabalho tem como objetivo analisar a função da música no ritual de troca de cordões da Academia de Capoeira Praia de Salvador, dialogando dentro do campo da Etnomusicologia. Para a realização do trabalho, usamos a etnografia feita no evento chamado ‘Taça Limão’, maior evento do grupo. Constatamos que dentro do ritual observado, a música provoca nos participantes um ‘Estado de Axé’, o qual está relacionado as funções propostas por Alan P. Merriam (1964), além de observarmos uma função geral de ‘agradar ao líder’. Com esse trabalho, pretendemos contribuir com a discussão entre as funções da música e os efeitos que ela provoca dentro da Capoeira.

WALTEL BRANCO: OBRA E EXPERIÊNCIA MUSICAL (FRANCISCO VITAL OKABE)
Este artigo é parte da pesquisa em etnomusicologia, ainda em andamento, a respeito da obra de Waltel Branco e sua experiência como músico. Durante sua carreira, Waltel Branco atuou em diversas funções (arranjador, compositor, produtor, instrumentista, professor), em diferentes localidades do mundo e se envolveu com uma grande variedade de estilos musicais. É comum encontrar, em textos sobre o músico, adjetivos como “completo”, “plural”, bem como “oculto” – pois sua vasta obra se encontra parcialmente desconhecida e em constante descoberta. A pesquisa em andamento tem como objetivo apresentar a produção musical de Waltel Branco e verificar de que maneira se aplicam, neste músico, os preceitos desenvolvidos pelo etnomusicólogo John Blacking (1995) sobre música, cultura e experiência. Como a pesquisa se encontra em andamento, ainda não foram encontrados resultados e o presente artigo apresenta aspectos historiográficos e extramusicais do músico Waltel Branco, propondo uma discussão entre a formação musical, a prática musical e a experiência de um compositor, arranjador e instrumentista brasileiro vivo. A proximidade com o músico e a realização de uma entrevista complementaram as informações encontradas em fontes publicadas. Pretende-se contribuir com a área da etnomusicologia, acrescentando uma abordagem sobre o tema da experiência e sobre a obra de Waltel Branco, ainda parcialmente desconhecida, apesar de sua grande contribuição para a música do Brasil e do mundo. Futuras pesquisas sobre a música de Waltel Branco encontrarão subsídios neste trabalho e assim se poderão realizar estudos com maior profundidade.

JULIO CÉSAR MATOS BORBA E EDWIN PITRE-VÁSQUEZ > ESTILO DUETADO – O CHAMAMÉ EM MATO GROSSO DO SUL
O presente artigo propõe a discussão sobre o Chamamé instrumental feito em Mato Grosso do Sul, suas origens e desenvolvimento de uma característica local, chamada de “Estilo Duetado”, suas características musicais e extra-musicais (Blacking, 1974). A pesquisa de campo ainda em andamento utiliza uma etnografia na cidade de Campo Grande – MS, junto aos músicos e pesquisadores diretamente relacionados com o estudo do Chamamé presente na região. Aborda a prática musical dos chamamezeiros nas décadas de 1960 e 1970 (Gonçalves, 2014) um tema que ainda possui poucos estudos etnomusicológicos no Brasil (Higa, 2010). As conclusões preliminares possibilitaram entender que existe inovação na maneira de compor e interpretar o chamamé instrumental no Estado.